Farol de Mosqueiro

Farol de Mosqueiro
Farol de Mosqueiro

sábado, 21 de março de 2015

A participação da Sociedade Civil na gestão pública em Mosqueiro.


Não há hoje uma generalização das experiências de participação da sociedade civil que nos permita afirmar que a gestão participativa tenha se tornado um paradigma hegemônico em nosso País, quiçá no município de Belém do qual Mosqueiro é um Distrito Administrativo. Existe ainda, e é preciso estar sempre atento, o perigo do clientelismo como prática institucionalizada, muito arraigada na nossa cultura, e que pode se apropriar dos canais participativos invertendo o sentido que em princípio teriam. Particularmente, em Mosqueiro, qual o peso e a legitimidade que as representações da sociedade local, do legislativo, dos partidos políticos e os cidadãos têm alcançado nos espaços de participação e negociação com a gestão municipal? Oferecer algumas luzes que auxiliem nas respostas ao questionamento acima é o objetivo desta publicação.

Para quem vive em Mosqueiro não é novidade a existência de diversas formas de associação da sociedade civil. Seguindo a tradição do associativismo em nosso País, onde a influência da igreja católica foi determinante, existem algumas organizações ligadas à veneração de Santos. Neste perfil podemos citar o caso da Associação de Santa Rosa de Lima, na comunidade do Caruaru, e os grupos religiosos da baía do Sol que festejam São Sebastião, na Fazendinha, São Pedro, na Camboinha e o Divino Espírito Santo, no Bacuri. Ainda podemos encontrar associações relacionadas às atividades profissionais como a Colônia de Pescadores Z9, a Associação dos Tapioqueiros, a Associação dos Barraqueiros, a Associação dos Artesãos e a Associação Pró Turismo que reúne empresários e trabalhadores do ramo. Existem as associações culturais, como os grupos carnavalescos (blocos e escolas de samba), grupos juninos (quadrilhas, cordões de bicho e boi bumbá) e ao folclore de uma maneira geral. O Instituto Ampliar, organização não governamental de caráter socioambiental, que atua principalmente no Maraú e Paraíso e o Rotary Clube de Mosqueiro, com diversas ações assistenciais, são também exemplos de organizações da sociedade local. Fechando essa lista poderíamos citar outras formas associativas, mas que, em grande parte, foram criadas para dar suporte aos interesses políticos e partidários de alguns indivíduos.

Entre as experiências vividas por essas associações, cito algumas que estão relacionadas às necessidades objetivas da comunidade com interface direta na gestão púbica do Distrito. Certa vez, a Associação de Santa Rosa de Lima, atenta ao problema de falta de energia na comunidade do Caruaru, destinou a renda da festividade para a compra e instalação de um sistema de geração de energia solar para atender a escola, centro comunitário e igreja, logo depois chegou uma linha de transmissão da Celpa sem que houvesse a devida discussão com a comunidade sobre o modelo adotado, pois este segue um padrão nacional que não considera características locais. Sabemos que número de consumidores da Concessionária aumentou, mas não teria sido melhor o poder público apoiar a ampliação dos sistemas de energia alternativa de maneira a atender as residências, lá existentes?

Diversas propostas foram apresentadas e encaminhadas às autoridades locais, municipais e estaduais pela Associação Pró Turismo para qualificar e ampliar a atividade que é considerada estratégica para o desenvolvimento local. A construção de um Portal, localizado logo após a ponte sobre o Furo das Marinhas, foi uma dessas propostas. Além de marcar a chegada a Mosqueiro, este equipamento abrigaria um Posto de Informação Turística - PIT, um Posto Policial ou da Guarda Municipal, e uma feira de produtos locais, que já existe naquela região, com estacionamento apropriado. O Portal foi construído e todos sabem onde ele está localizado, o PIT também, está na praia do Chapéu Virado e o Posto Policial continuou no mesmo lugar e passou um bom tempo desativado. Os recursos foram gastos, mas a falta de diálogo dos gestores com a sociedade fez com que esses equipamentos se transformassem em peças meramente decorativas, com muito pouca serventia, e eficácia duvidosa devido a falta de integração das políticas setoriais.

Juntamente com o Rotary Clube e o Instituto Ampliar, a Associação Pró Turismo chegou a promover, durante três anos, com algum apoio dos governos municipal e estadual, o Festival das Águas. Também promoveu um Reveillon, adotando modelo diferenciado daquele vigente até então, motivando a participação das famílias com atrações de qualidade e segurança para todos. Divulgou a festividade de Nossa Senhora do Ó e o Carnaval, ações que foram bancadas exclusivamente por seus integrantes e colaboradores. Tudo isso fazia parte de uma estratégia para trazer os visitantes e equilibrar uma demanda onde os comerciantes locais amargam grandes prejuízos fora do período de férias escolares. O Festival das Águas, que poderia ter sido o embrião para habilitar Mosqueiro como palco do debate sobre a gestão dos recursos hídricos, por falta de visão dos nossos governantes, nunca foi tratado como estratégico. Quanto ao Reveillom, devido ao grande sucesso da iniciativa, não demorou para ser encampado pela Prefeitura que deformou a ideia original provocando um retrocesso.

O perfil clientelista dos partidos e políticos profissionais tem dificultado bastante a organização social em Mosqueiro, a cooptação de lideranças vem sendo uma prática recorrente. As organizações sociais que apresentam um perfil suprapartidário não recebem a ajuda que deveriam como é o caso da Associação Pró Turismo que contém, em seu Estatuto, dispositivos que impedem a mesma de apoiar qualquer candidatura e os membros de sua diretoria pleitearem cargos eletivos. Por outro lado, aquelas associações, cujas lideranças tem como grande objetivo obter vantagens pessoais ou são ligadas a políticos com mandato, conseguem firmar convênios vantajosos com a Prefeitura e com o Estado. Como resultado, temos a perda de legitimidade e de credibilidade nas ações desenvolvidas por essas instituições, onde muitas delas estão inadimplentes junto aos órgãos de controle. Outro aspecto que compromete o protagonismo social de algumas organizações é o que chamo de complexo de “vira-lata”, ou seja, seus integrantes não acreditam no poder que eles têm e ficam eternamente aguardando a chegada de um “padrinho” que irá resolver todos os seus males, cenário ideal para os oportunistas.

A participação da sociedade civil não esbarra somente na cultura centralizadora dos integrantes do poder executivo. Membros do legislativo costumam entender que eles são o único canal de defesa dos interesses do cidadão, a abertura de outros canais de participação direta é vista como ameaça ao poder que eles tanto prezam. Certa vez procurei um secretário municipal para relatar alguns problemas que vivemos em Mosqueiro, fiz porque o conheço muito antes dele ser investido no cargo. Passado algum tempo, ele me telefonou informando que vinha a Mosqueiro e pretendia visitar o lugar que eu havia relatado a existência dos problemas, mas tinha um porém, ele estaria acompanhado de uma vereadora integrante da base aliada do Prefeito. Agradeci a consideração e lealdade dele em me avisar, mas entendi o recado – apesar de não ter sido a vereadora o veículo que levou a informação para ele, se fazia necessário mostrar para as pessoas daquela localidade que era ela que estava levando membros do executivo municipal para ouvir os seus anseios e tentar resolver seus problemas.

A Constituição de 1988 foi o marco do processo de redemocratização brasileira em termos de aproximação da sociedade civil com o Estado. A participação permite que a sociedade civil se expresse em termos de suas demandas e interesses assim como acompanhe a utilização de recursos públicos e o respeito às leis e aos direitos humanos. Entretanto, há contradições entre quem administra recursos na gestão pública e quem está demandando serviços e investimentos. E há, também, no seio das organizações da sociedade civil, conflitos para gerenciar a relação das lideranças com suas bases, para que na relação com os governantes essas lideranças não sejam manipuladas ou cooptadas.

A experiência da organização social em Mosqueiro não foge dessas contradições e o sentimento de desencanto toma conta dos bem intencionados enquanto outros comprometem a credibilidade da participação social na gestão pública quando colocam, em primeiro plano, interesses ilegítimos e, muitas vezes, imorais. De qualquer forma, tudo isso deve ser encarado como aprendizado. Continuo acreditando firmemente que, com erros e acertos, estamos dando passos importantes para a construção de uma nova relação democrática e de políticas públicas mais eficazes. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

A experiência do “Festival das Águas”.


O dia 22 de março se aproxima e nele celebramos o dia Internacional da Água. Será que nossos governantes foram responsáveis e competentes na gestão dos recursos hídricos? Será que nós cidadãos desperdiçamos a água das nossas torneiras achando que ela era um recurso que jamais faltaria? Será que temos o que comemorar? O certo é que nunca antes, no Brasil, refletimos tanto sobre a importância da água e as possibilidades para sua obtenção.

Nos últimos meses, o jornalismo brasileiro vem noticiando a grave crise no abastecimento de água vivida pelos habitantes da região sudeste. A ocorrência de cheias nos rios da bacia amazônica, atingindo importantes cidades da região como Porto Velho/RO e Rio Branco/AC, ocuparam os noticiários. Os resultados dos trabalhos realizados por pesquisadores nacionais e internacionais também estão sendo divulgados. Entre os temas exaustivamente investigados podemos citar: as mudanças climáticas; o impacto do desmatamento no regime de chuvas; o processo de erosão nas orlas de municípios localizados em ambientes marítimos, fluviais ou estuarinos; e o comprometimento dos nossos rios, lagos e aquíferos devido à falta de saneamento básico, o uso de agrotóxicos, defensivos agrícolas, e os efluentes das indústrias.

Aproveitando o fenômeno conhecido como “Águas de Março”, tão marcante na paisagem e na vida daqueles que habitam o estuário Amazônico, a sociedade civil tomou a iniciativa de realizar um evento em Mosqueiro que ficou conhecido como o Festival das Águas. Muito antes dos problemas relacionados aos recursos hídricos virem à tona na mídia brasileira, este evento promoveu a conscientização sobre o uso racional da água, difundiu práticas sustentáveis, promoveu a produção cultural, estimulou os esportes náuticos, ao mesmo tempo em que buscou contribuir com o desenvolvimento local. Mosqueiro é um lugar vocacionado para o turismo, mas sofre os efeitos da baixa demanda neste período.

Logomarca do Festival das Águas criada por Marcelo Pinheiro.
Nela podemos ver a representação do homem no encontro
 das águas com o elemento terrestre.


Com modesta ou nenhuma contribuição dos governos, foi com imenso sacrifício pessoal que integrantes da Associação Pró Turismo, do Rotary Club e do Instituto Ampliar tornaram possível a realização do Festival das Águas. O apoio de outras organizações sociais e de instituições de ensino e pesquisa também foi determinante para a realização do evento. O Festival das Águas apresentou sua primeira versão no ano de 2004, ocorreu também nos anos de 2005 e 2006.



A programação do Festival foi concebida em três eixos. O primeiro deles correspondeu a um amplo debate sobre a importância dos recursos hídricos e foi constituído por um Seminário que chegou a reunir 300 participantes da comunidade acadêmica, científica e setores responsáveis pela gestão de políticas públicas, além de dezenas de palestras nas escolas e centros comunitários de Mosqueiro que alcançaram, nas três versões, 7.000 alunos. O segundo eixo foi composto por uma programação cultural envolvendo as mais variadas manifestações artísticas como a música, oficinas e exposições de pintura, fotografia e poesias que apresentam a água como tema; por último, as atividades de lazer incorporando esportes náuticos como regatas e porfias de canoas tradicionais a remo, gincanas ecológicas fluviais, ecoturismo explorando trilhas interpretativas e passeios fluviais.

Atividades realizadas durante o Festival das Águas.

Palestras: Abordando como tema principal A importância estratégica da Água, as palestras foram ministradas em escolas e centros comunitários de Mosqueiro por membros das organizações parceiras utilizando audiovisual padronizado elaborado por especialistas da área. A divulgação e organização das mesmas contou com ajuda fundamental das direções das escolas, corpo docente e membros dos conselhos escolares.



Seminário: sempre denominado Água, um Bem Precioso, as versões do Seminário ocorreram no Centro de Convenções do Hotel Paraíso e tiveram como público alvo a sociedade acadêmica e científica, pessoas responsáveis pela gestão de políticas públicas relacionadas direta e indiretamente com os recursos hídricos, integrantes da sociedade civil interessados no tema e a sociedade local de um modo geral.  Muitos temas foram abordados: Balneabilidade das Praias, Estratégias de proteção das Matas Ciliares e Nascentes de Rios e Igarapés, Gestão de Bacias Hidrográficas, Políticas de Abastecimento de Água, Morfodinâmica das Águas no Estuário Guajarino, Uso e Ocupação de Orlas, Água na Matriz Energética Nacional, Políticas para a Pesca Artesanal e Industrial, Transporte Fluvial, Esportes Náuticos, Água e Lazer, Turismo Fluvial e Ecoturismo, dentre muitos outros. Esses temas foram apresentados por especialistas e debatedores em mesas redondas, painéis e conferências.




Exposição de Pinturas: denominada As Cores das Águas, a exposição ocorreu no salão nobre do Hotel Farol e reuniu obras em técnicas variadas de autores renomados e de novos talentos, selecionados por curador ligado ao Museu do Estado.




Exposição de Fotografias: denominada As Luzes das Águas contou com a colaboração da Fotoativa que promoveu oficina e amostra de trabalhos de fotógrafos renomados e de novos talentos.




Feira de Artesanato: A feira de artesanato com produtos encontrados na natureza contou com a participação de artesãos e foi realizada no Centro Cultural “Praia Bar”. Depois do evento ela se tornou permanente proporcionando a formação da Associação de Artesãos do Mosqueiro.




Porfia de Canoas Tradicionais: Este torneio contou com o apoio da ACAVBEL e foi realizada com duas provas. A primeira de longa distância (resistência), tendo como ponto de partida o a Fábrica Bitar e a chegada no Trapiche da Vila. A segunda prova foi de curta distância (velocidade) em frente o Trapiche da Vila. O público alvo era, principalmente, moradores da região que possuem habilidade na condução de canoas de madeira impulsionadas a remo, tradicionais na Amazônia. Os vencedores das provas receberam como prêmio uma bicicleta e os, os três primeiros colocados em cada prova medalhas, troféus e certificados pela participação.




Gincana Ecológica Fluvial: A Gincana foi realizada no Porto Pelé e no Rio Cajueiro. O objetivo da prova era que duplas de moradores da região, munidos de suas canoas tradicionais de madeira e seus respectivos remos, retirassem em duas (2) horas de prova o lixo encontrado no rio e nas suas margens. Foram vencedoras as duplas que retirararam a maior quantidade de lixo segundo critérios da comissão julgadora do Festival. Os vencedores da prova receberão como prêmio bicicletas e os três primeiros colocados medalhas e troféus enquanto que os demais receberam certificados pela participação. Antes da prova foi ministrada uma palestra informando o que é lixo e o tempo que alguns materiais levam para se decompor. O público alvo era, principalmente, moradores da região que possuem habilidades na condução de canoas tradicionais.




Oficina de Canoagem: A oficina foi realizada na praia do Chapéu Virado e proporcionou a seus participantes (crianças, jovens e adultos) ensinamentos sobre a arte de remar e a experiência de conviver com a água e seus mistérios.




Gincana Ecológica Estudantil: A Gincana foi realizada na praia do Farolo dia 16 de abril de 2013, nas praias do Chapéu Virado e do Farol. em Mosqueiro. O objetivo da prova era que equipes formadas por   estudantes representando escolas da região retirassem, em duas horas de prova lixo como plástico, metal e vidro encontrado nas areias e no entorno da praia. Foi vencedora a equipe que retirou a maior quantidade de lixo segundo critérios da comissão julgadora do Festival. As três  primeiras equipes colocados receberam medalhas e troféus enquanto que os demais receberam certificados pela participação. Antes da prova foi ministrada uma palestra informando o que é lixo e o tempo que alguns materiais levam para se decompor. O público alvo eram estudantes das escolas de Mosqueiro.




Torneio de Pesca de Praia: O torneio foi realizado nas praias do Chapéu virado e Maraú. O público alvo eram moradores da região que tem o hábito da pesca e demais pessoas que gostam de praticá-la, faltando somente, estímulo e orientação. Moradores da região foram treinados para dar apoio aos participantes e à Comissão organizadora para a identificação dos vencedores. Foram premiados aqueles que conseguiram pescar o maior número de peixes e o maior peixe, enquanto que os demais receberam certificados pela participação.



Passeios em Trilhas Ecológicas: Estes passeios ocorreram em áreas preservadas de Mosqueiro proporcionando aos participantes a observação e interpretação da fauna e da flora da região, típicas de várzea. Os passeios foram organizados por empreendedor local de ecoturismo.




Passeio Fluvial: este passeio levou os participantes para conhecer a Ilha de São Pedro, propriedade da família Capela, abrigou um antigo engenho de cana, uma serraria e ainda abriga uma olaria.





Atualmente o Festival das Águas não tem ocorrido devido à falta de interesse do poder público e de empresas para colaborar com o mesmo, tornou-se muito difícil para a sociedade civil, através de suas organizações, realizarem sozinhas o evento. De qualquer forma a semente foi lançada e seus idealizadores continuam alimentando o sonho de tornar Mosqueiro um berço de importante no debate sobre o uso responsável da Água. Quem sabe, um dia, vamos sediar um Fórum Internacional sobre Recursos Hídricos? A esperança persiste.

(Esta publicação é dedicada à Norma Monteiro, sempre incansável na organização do Festival das Águas)

quinta-feira, 12 de março de 2015

O saber da gente da Baía do Sol.

Barcos de pescadores da Baía do Sol


Na semana que se iniciou com a comemoração do Dia Internacional das Mulheres o Blog Mosqueiro Pará Brasil reproduz o depoimento da Senhora Irenilda Santana, membro do Grupo de Mulheres Pescadoras da Colônia Z-9 da Baía do Sol. A pesquisa que coletou este precioso testemunho foi coordenada por outras quatro mulheres, Maria Luzía Alvares, Maria Cristina Maneschy, Josinete Lima, Marineide Almeida.

“Ser uma mulher é um dom,
ser uma lutadora é uma conquista, ser uma pescadora
é um privilégio,
ser a pessoa que sou, é maravilhoso
porque tenho ao meu lado
companheiros que lutam junto comigo
para ter tudo e o impossível.
E mostra que unidas conquistaremos
e podemos mudar o nosso valor de sermos o que somos.
Aprendemos com amigos sinceros a
importância de sermos pescadoras,
com amor e bondade nós queremos para as outras
estender nossas mãos.
Explicamos porquê:
Porque temos dentro de nós
a grandeza de sermos pescadores”.
Irenilda Santana


O depoimento acima foi extraído do texto “Tecendo a História de uma Comunidade Pesqueira: Baía do Sol”, publicado no Caderno da Pesca – Informes de Pesquisa, UFPA, 2000.