Farol de Mosqueiro

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Farol de Mosqueiro

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Mosqueiro: a história de um arquipélago singular no estuário Amazônico (Parte II)

A última década do século XIX e a primeira do século XX reservavam grandes surpresas e transformações para Mosqueiro.  Nesta época, a exploração do látex foi responsável pelo surto de desenvolvimento verificado nas principais cidades da Amazônia. No Pará, ingleses, alemães, franceses e americanos chegaram para instalar companhias que atenderiam às demandas de transporte, saneamento básico, comunicação e energia que a modernização exigia. Podemos dizer que as principais foram a Western, Pará Eletric Railways Company, a Port of Pará, a Amazon River, a Companhia das Águas e a Companhia dos Bondes.

Neste período, Mosqueiro tornou-se o local predileto de muitos desses estrangeiros, foram os Ponted, os Smith, os Upton, os Kaulfuss, os Arouch, os Lochard, e muitos outros, todos ansiosos em construir uma residência para passarem os fins de semana (week-end) com seus familiares e usufruírem dos belos e aprazíveis recantos existentes no arquipélago. Não demorou muito para serem seguidos por famílias abastadas de Belém que aderiram ao movimento, portugueses, libaneses e hebraicos também marcaram presença. Foi neste período que o turismo de segunda residência começou a se desenvolver, transformar as relações de trabalho e promover grandes alterações no espaço. Antigos pescadores, agricultores e artesãos passaram a atender as necessidades dos veranistas na condição caseiros, jardineiros, e outras atividades domésticas. Outros montaram pequenos comércios ou foram trabalhar nos espaços do Mercado Municipal. Os terrenos na orla praiana foram valorizando e ocupados gradativamente, deslocando antigos moradores para áreas mais afastadas.

Os Casarões construídos em sua orla, durante esse período, representam raros exemplares arquitetônicos pelo fato de seus construtores terem associado, com muita competência, estilos europeus com a realidade climática da região – pé direito alto para favorecer a ventilação, porão para evitar a humidade e as varandas que protegem seus interiores da insolação. Alguns proprietários dessas residências na orla davam-se ao luxo de construir trapiches particulares – porto - para atracação de barcos que eram responsáveis pelo transporte de víveres e materiais de construção. Desta atividade surge a denominação dos Chalés “Porto Arthur” e “Porto Franco”.



Os novos barcos da empresa inglesa Amazon River já permitiam o transporte da capital ao balneário quando o governo estadual tratou de construir uma ponte metálica para atracação dessas embarcações, a obra, foi inaugurada em 6 de setembro de 1908. Também edificou um armazém especial onde eram guardadas encomendas e bagagens. Alguns ilhéus  trabalhavam como carregadores e eram costumeiramente identificados pelos números que traziam costurados na roupa, transformaram-se em figuras famosas e populares. Eram responsáveis, além de carregar as bagagens dos passageiros, pelo envio de encomendas. A chegada dos navios passou a ser uma atração para os moradores e produziu uma curiosidade desta época – o corredor polonês. Nele as pessoas se encarregavam de vaiar ou aplaudir quem chegava, podemos imaginar as roupas utilizadas por quem chegava e o quanto elas destoavam com o clima equatorial e sol escaldante da região.


O número de viagens para Mosqueiro cresceu rapidamente, no início eram duas por mês, depois, três por semana e finalmente todos os dias. Aos sábados e domingos havia viagens extras. O primeiro navio a se destacar na linha foi o vapor Almirante Alexandrino. Mais tarde, este serviço foi efetuado por embarcações do Serviço de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará – SNAPP, empresa que substituiu a antiga Port of Pará. Em virtude do pequeno calado que possuíam eram conhecidas como Chatas e as principais foram a Distrito Federal, a Cuiabá, a Fortaleza e a Vitória. Nos idos dos anos cinquenta, o governo encomenda navios modernos e adaptados ao fim que se destinavam conhecidos como a Frota Branca. O navio Presidente Vargas foi um destes navios, construído em estaleiro holandês com a finalidade de fazer a linha regular até Mosqueiro, era substituído, eventualmente, pelo navio Lobo D’Almada Os construtores do Presidente Vargas receberam detalhes de corrente e profundidade das águas a serem navegadas, assim como o perfil socioeconômico dos usuários.

O primeiro transporte oficial aproximando a Vila do Mosqueiro da praia do Chapéu Virado foi inaugurado em 10 de janeiro de 1904, foi o Ferril-Carril, um Bonde com tração animal. Propriedade de Arthur Pires Teixeira fazia o trajeto que se iniciava na Praça da Vila, onde a garagem dos mesmos era o prédio que hoje abriga o Mercado Municipal, percorria a estrada do Chapéu Virado, estendendo-se até a praia do Porto Arthur, na qual seu dono possuía propriedade. Com o aumento de passageiros, provocado pela instalação da linha fluvial regular, os animais que tracionavam o Ferril-Carril foram substituídos por uma pequena locomotiva, conhecida como “Pata Choca”.

O primeiro ônibus começou a circular em 1926 e ligava a Vila do Mosqueiro à praia do Ariramba. Alguns particulares também se encarregaram de atender a demanda que continuava aumentando com velhas camionetas e caminhões transformados em “paus-de-arara”. Com a chegada do navio Presidente Vargas, Raimundo Assunção Cruz, mais conhecido como Cecy, comprou três camionetas Ford 350, durante anos atendeu a muitos passageiros. Mais tarde Cecy monta o primeiro Posto de combustível na Ilha.

Depois de seis décadas, usufruindo o transporte fluvial para atender moradores e visitante, a ilha do Mosqueiro presencia uma verdadeira revolução. Primeiramente foi a construção da estrada de rodagem, cuja travessia do “Furo das Marinhas” era feita através do sistema de Balsas e, depois, pela construção da ponte em concreto sobre o mesmo. Desde 1946, um grupo de abnegados, liderados pelo Engenheiro Augusto Meira Filho, promoveram estudos e ações a fim de materializar o sonho de ligar Mosqueiro a Belém através de estrada.

Em 1965, foi concluída a rodovia Belém-Mosqueiro, via cidade de Benevides e em direção ao furo das Marinhas. Do lado continental a estrada foi concluída pelo Departamento de estradas de Rodagem do Pará - DER/PA, sob o comando do engenheiro Oswaldo Aliverte e do lado insular pelo Departamento Municipal de Estradas de Rodagem - DMER/BL tendo na coordenação dos trabalhos o engenheiro José Machado. O nome da rodovia homenageia o seu grande incentivador: Dr. Augusto Meira Filho. O trecho fluvial sobre o furo das Marinhas era feito pelo sistema Ferry-Boats, onde balsas procediam a travessia dos veículos. Há registros de que em apenas três anos, mais de 40 mil veículos passaram pela estrada.

Ao ser inaugurada em 12 de janeiro de 1976, a ponte sobre o furo das Marinhas ligou definitivamente a ilha ao continente. A ponte é em concreto, mede 1.457,73 m, e sua denominação - Sebastião R. de Oliveira – homenageia um dos precursores nos trabalhos da rodovia. O dia de sua inauguração foi marcado pela primeira e única visita de um Presidente da República às terras da ilha.

Hoje, Mosqueiro conta com mais de 33 mil moradores e tem sua economia centrada na oferta de serviços, grande parte decorrente da demanda provocada pela prática do turismo de segunda residência. Fenômeno recente mostra um número considerável de pessoas que se mudaram para Mosqueiro na busca de melhor qualidade de vida. Na condição de Distrito de Belém, conta com uma Administração Regional que é responsável pela articulação entre as necessidades do Distrito e as Instituições municipais responsáveis pela condução das políticas públicas específicas.
Grandes são os desafios a serem enfrentados. O maior deles é ajustar a economia local e a prestação de serviços públicos à sazonalidade de demanda provocada pelos períodos de férias e finais de semana prolongados quando o número de visitantes chega alcançar 400.000 pessoas. A explosão demográfica da Região Metropolitana de Belém provocou uma pressão pelos espaços disponíveis no arquipélago. Os impactos ambientais, desprezados no passado, passaram a se constituir uma preocupação recorrente para os gestores públicos e, principalmente, para quem elegeu este lugar para morar ou passar os períodos de descanso.

Em concurso promovido por órgão de imprensa do Pará, Mosqueiro foi um dos mais votados na condição de uma das Sete Maravilhas do Estado do Pará. Ocupa um lugar muito especial no coração e nas mentes de muitos paraenses, assim como continua encantando brasileiros e estrangeiros que têm a oportunidade de visita-lo. Você que ainda não conhece, não perca tempo, procure conhecer. Mosqueiro é um lugar que encanta o ano inteiro.

11 comentários:

  1. Adorei, sou fã do Mosqueiro por suas peculiaridades bem paraenses! O poder Público, deveria dar a Ilha e seus filhos o valor grandioso que merecem!

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    1. Que os "encantados" por Mosqueiro digam amém.

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  2. Adoro o Mosqueiro. Meu irmão Manoel tambem. Tempos bons. Meu pai comprou nossa casa no Ariramba em 1950. Mais antes ja iam para lá, ainda temos a casa à 65 anos.

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  3. Sou fã do mosqueiro. Meu pai comprou a casa em 1950. Meu irmão Manoel curte muito também.

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  4. Tenho vontade de passar o resto da minha vida no mosqueiro, já que sou aposentado, mas meus sobrinhos foram assaltados na nossa casa no ariramba em plena luz do dia e ficamos cabreiros; Como está a segurança por lá hoje em dia ?????

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    1. Barral, lamentavelmente Mosqueiro atravessa a pior administração dos últimos 50 anos, portanto as coisas não estão boas. Agora, a violência não é exclusividade da Ilha, está presente na sociedade brasileira.

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  5. Parabéns pela sua maravilhosa página! Mosqueiro é um lugar fascinante. Criei uma página que se concentra em seus bondes. Lamento que o texto seja quase inteiramente em inglês:

    http://www.tramz.com/br/mq/mq.html

    Allen Morrison
    New York
    almo@tramz.com

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  6. Obrigado Allen pelo incentivo. Vou acessar sua página.

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  7. Allen, adorei seu artigo. Suas contribuições para a história de Mosqueiro são maravilhosas. Recomendo a todos os leitores do Blog Mosqueiro Pará Brasil.

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